O que é metaverso e como funciona?

“Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura.”

Aristóteles

Universos digitais ou a projeção de realidades fazem parte dos pilares da filosofia platônica

O que é Metaverso e como funciona - Felipe Valer
Cérebro humano é capaz de criar realidade, diz o neurocientista Miguel Nicolelis.

“O Verdadeiro Criador de Tudo” é o título da recente obra do neurocientista brasileiro, Miguel Nicolelis. Partindo do pressuposto de que a realidade visual e física é criada através de uma capacidade neuronal. Criar interfaces através da cognição proporciona a possibilidade de conectarmos a imaginação com aspectos racionais. Vivemos uma espécie de dualismo sensorial.

Nosso sistema nervoso é capaz de elaborar a realidade a nossa volta. Habilidade que hoje é o grande objetivo das empresas e startups que desenvolvem tecnologias de realidade virtual e recentemente impulsionaram o conceito Metaverso. Estamos vivendo uma nova era de imersão? Não. Atualmente presenciamos mais uma tentativa de renovar o antigo conceito que foi popularizado pelo ambiente “digital” criado em 1999, Second Life.

Então a roda não foi reinventada? Este troféu ainda está longe de ser conquistado.

Vocês lembram de um filme estrelado pelo ator Arnold Schwarzenegger chamado O Vingador do Futuro (Total Recall (1990)? Recentemente foi apresentada uma refilmagem. Porém, o conceito que estamos abordando já havia sido apresentado de maneira primorosa. A produção destacou de uma maneira muito inteligente e verdadeira o que seria em algum momento compartilhado como a sedutora solução para vivermos uma nova realidade ou escapismo da monotonia. A obra possui muitas semelhanças com o conto do mestre da ficção científica Philip K. Dick, “We Can Remember It for You Wholesale“.

Sinopse:

No ano de 2084, o operário Douglas “Doug” Quaid recorre a um implante de memória, para poder simular uma viagem a Marte, já que sua esposa não concordava com uma viagem real. Mas algo sai errado e ele começa a se lembrar de quem realmente era e de fatos que, até então, desconhecia. Perseguido por visões daquele planeta, resolve ir até lá para conseguir respostas sobre seu passado e é perseguido por Lori, que ele pensava ser sua mulher. Ao chegar em Marte, une-se a um grupo de rebeldes que lutam contra uma corporação que quer dominar o planeta e, consequentemente, dominar o mercado de minério na Terra. Esses rebeldes conhecem o passado de Douglas “Doug” Quaid e ajudam-no a conhecer o verdadeiro propósito das visões e sonhos que o mesmo tem. Assim, torna-se a única esperança de vitória dos habitantes locais.

Ficaram curiosos? Parece divertido! Prestem atenção no trailer abaixo.

O Vingador do Futuro (1990 ‧ Ficção científica ‧ 1h 53m)

Resumindo o drama: tudo é uma questão de impulsos elétricos. O cérebro acredita na mensagem adequada e sem distorções. Imaginem uma TV antiga ou rádio sendo sintonizado. Em algum momento a antena irá captar a onda ou vibração e o que era invisível se torna perceptível.

Podemos acrescentar uma produção recente, mas que impulsionou o conceito de metaverso para além da imaginação acrescentando o termo Gamification ou Ludificação. O filme Jogador Número 1 foi dirigido por Steven Spielberg e lançado em 2018. O roteiro é uma adaptação do livro Ready Player One, escrito por Ernest Cline.

Qual a diferença entre eles? Criatividade. A essência do arquétipo “chamado para a aventura” se mantém. Porém, agora os efeitos visuais são mais envolventes e imersivos.

Não existem mundos artificiais ou digitais sem imaginação.

O imaginário é o principal ingrediente para alimentar a necessidade cerebral de criar novas conexões ou sinapses. Sem esse “mecanismo” é estagnada a evolução das histórias e simbolismos que moldaram nosso passado e projetam o futuro.

Sinopse:

Em 2045, Wade Watts, assim como o resto da humanidade, prefere a realidade virtual do jogo OASIS ao mundo real. James Halliday, o excêntrico criador do jogo, morre e deixa sua fortuna inestimável para a primeira pessoa que descobrir a chave de um quebra-cabeça diabólico que ele arquitetou. Para vencer, Watts precisa abandonar a existência virtual e experimentar o amor e a realidade.

Jogador Nº 1 (2018 ‧ Ficção científica/Aventura ‧ 2h 20m)

Metaverso: o que as big techs pretendem lançar

Antes das empresas investirem seus esforços e atenção para hardware e software existe algo mais importante: argumento cultural.

Por qual motivo irei aderir, comprar, investir, vivenciar ou até mesmo simpatizar com um universo digital onde irei aceitar uma vida paralela? Renomados empreendedores e cientistas afirmam que podemos estar falando sobe uma viagem apenas de ida. Justificam que muitos consumidores/clientes possuem interesse em seguirem suas vidas imersos em uma espécie de Matrix não perceptível. E como o cérebro irá reagir diante de um “eterno sonho” ou experiência sensorial?

O Facebook que já indicava uma mudança na sua estrutura de business recentemente apresentou sua nova identidade visual e nome: Meta.

A maneira como percebemos isso é a ruptura de estarmos atrelados por conexões primárias (interesses, localização, pessoas em comum e desejos mercadológicos) para avançarmos para algo até pouco tempo inimaginável: estímulos Quimioceptores e Mecanorreceptores oriundos de sinais digitais autônomos.

Resumindo: Podemos sentir e interagir sem percebermos a diferença entre realidade ou fantasia em uma simulação planejada, adaptada e aperfeiçoada por uma inteligência artificial onipresente e onisciente. Parece absurdo?

Rumores indicam que o Mark Zuckerberg, CEO da Meta, alocou um grande volume de investimentos para financiar projetos de realidade virtual e aumentada. Boatos dizem que o valor pode ter beirado os US$ 10 bilhões. Investidores de peso justificam que toda essa movimentação irá desencadear mais de US$ 1 trilhão em novos produtos e pesquisas.

Trazendo o metaverso para a prática

Meta (Facebook): Quest 2 (responsável por mais de 70% do mercado)

Apple: Um mistério que poderá ser revelado em 2022. A velha estratégia da empresa: A concorrência lança um produto limitado e logo depois eles apresentam a sensação do mercado.

Google: Foi a primeira empresa que divulgou um sistema de VR (falecido Google Glass), mas que percebeu que o mercado estava interessado em experiências imersivas. O problema foi o momento em que Gadget foi lançado. Na época o entendimento das possibilidades eram muito limitadas pela velocidade de conexão. Analistas especializados comentam que o gigante da tecnologia já está trabalhando em um produto inovador.

Microsoft: HoloLens (em 2016). O grande problema? O alto valor para aquisição. Algo em torno de US$ 3,5 mil. Atualmente a empresa negocia o produto para fins militares.

Após indicar acima para qual caminho o mercado está seguindo podemos concluir: Ninguém sabe qual será o futuro do Metaverso. A tecnologia para implementação avança com força, mas a decisiva aplicação em nossas vidas ainda não foi apresentada com argumentos convincentes. Por enquanto tudo é publicidade e marketing.

É a velha ironia do filme De Volta Para o Futuro (Back to the Future) lançado em 1985. Detalhe: a viagem no tempo é para o ano 2015.

“Para onde vamos não precisamos de ruas.”

De Volta Para o Futuro (1985 ‧ Ficção científica/Comédia ‧ 1h 56m)

Até hoje estou aguardando lançarem o skate voador (Hover Board) que foi apresentado no segundo filme da trilogia. O que nos resta? Continuar acreditando que um dia quando formos na padaria comprar pão iremos vivenciar inovações e invenções fantásticas que até hoje só foram apresentadas no cinema ou literatura. De volta para o presente.

Se você pudesse escolher entre permanecer na realidade ou viver em um mundo virtual fantástico, qual seria a sua escolha?

O questionamento acima serviu como base para o episódio do Tio Nerd | Podcast. O foco da conversa foi explorar e mensurar os aspectos positivos e negativos da possível adoção de uma disruptiva tecnologia de realidade “digital”.

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